Instituto Jequitibá-Borá

84 anos da Estação Experimental de Monte Alegre do Sul: ciência, memória e patrimônio ambiental

Celebração reuniu mais de 90 pessoas e reforçou a importância da atual APTA Regional de Monte Alegre do Sul como referência de pesquisa agrícola e como patrimônio histórico, paisagístico, ambiental e genético da região.

28/09/2026

84 anos da Estação Experimental de Monte Alegre do Sul: ciência, memória e patrimônio ambiental

Celebração reuniu mais de 90 pessoas e reforçou a importância da atual APTA Regional de Monte Alegre do Sul como referência de pesquisa agrícola e como patrimônio histórico, paisagístico, ambiental e genético da região.

 

A Estação Experimental de Monte Alegre do Sul, atual APTA Regional de Monte Alegre do Sul, completou 84 anos em 2026. Para marcar a data, o Projeto História & Memória da Estação Experimental promoveu, em 26 de setembro, um encontro que reuniu mais de 90 pessoas entre funcionários, ex-funcionários, familiares, pessoas ligadas à trajetória da instituição e vereadores representando a Câmara Municipal.

A atividade, organizada pelo Instituto Ambiental Jequitibá-Borá e pelo Coletivo Obirici, foi marcada por reencontros e pela circulação de lembranças sobre o trabalho no campo, as pesquisas, os antigos setores, as famílias que viveram ou trabalharam na área e os vínculos construídos entre a Estação e Monte Alegre do Sul. Mais do que uma comemoração, o encontro mostrou que a memória de uma instituição também é feita por pessoas, paisagens e experiências acumuladas ao longo do tempo. O Projeto é coordenado pelos pesquisadores José Eduardo Azevedo, Mauricio Moura e Oswaldo de Oliveira Santos Junior.

Um patrimônio construído pela ciência e pelo território

Criada em 1942, a Estação Experimental integra a história da pesquisa agrícola pública paulista. Ao longo de mais de oito décadas, pesquisadores, técnicos, trabalhadores e agricultores participaram de processos de experimentação, adaptação e difusão de conhecimentos voltados às condições da região.

Entre os exemplos mais conhecidos está a história do morango. Em 1958, cruzamentos e ensaios realizados em Monte Alegre do Sul, no âmbito do programa de melhoramento genético do Instituto Agronômico, contribuíram para o desenvolvimento do cultivar Monte Alegre – IAC-3113. Produtores procuravam a unidade em busca de orientação técnica, novas variedades e mudas. As primeiras exposições do morango também ocorreram na Estação Experimental, contribuindo para uma trajetória que mais tarde se ligaria à Festa do Morango e à própria identidade econômica e cultural do município.


Essa relação entre pesquisa e comunidade não se restringiu a uma única cultura. A Estação funcionou durante décadas como espaço de formação, demonstração e circulação de saberes. Na memória de muitos moradores, chegou a ser chamada afetivamente de “Escola Agrícola”, expressão que sintetiza a proximidade entre pesquisa, aprendizado e trabalho rural.

Natureza, paisagem e patrimônio genético

A relevância da APTA Regional de Monte Alegre do Sul não está apenas em sua produção científica ou em suas edificações históricas. A área forma um conjunto territorial em que pesquisa, paisagem rural, vegetação, caminhos, áreas experimentais e espaços de preservação ambiental convivem e ajudam a contar a história da ocupação e do uso do território.

O levantamento realizado pelo Projeto História & Memória identifica a Estação como um bem cultural complexo, cuja importância está na continuidade de sua função pública e em sua forte inserção territorial. As fontes de pesquisa destacam também a presença de áreas de preservação ambiental, a paisagem construída ao longo do tempo e a relação entre ciência, natureza e trabalho.

Esse patrimônio inclui ainda o valor genético de materiais vegetais conservados e estudados na unidade. Uma proposta de proteção patrimonial elaborada para o conjunto reconhece, entre os elementos de interesse público, edificações, áreas de cultivo, instalações de pesquisa, remanescentes de Mata Atlântica e o patrimônio genético vegetal.

Preservar esse conjunto significa compreender que patrimônio ambiental não é algo separado da história humana. A paisagem atual resulta de décadas de pesquisa, manejo, trabalho e conhecimento acumulado. É justamente essa integração entre ambiente, ciência e memória que torna a Estação Experimental singular para Monte Alegre do Sul e para a região.


Pesquisa que permanece atual

Celebrar 84 anos não significa olhar apenas para o passado. A APTA Regional de Monte Alegre do Sul continua ativa como unidade de pesquisa e desenvolvimento. A apresentação institucional da APTA Regional registra trabalhos relacionados, entre outros temas, à fruticultura, melhoramento de culturas, cultivo de cogumelos, aquicultura, agricultura familiar, agricultura orgânica, agregação de valor e estudos com macaúba voltados à bioenergia.

Essa continuidade é parte fundamental do patrimônio da instituição. A mesma área que guarda documentos, construções e memórias de várias gerações segue produzindo conhecimento para responder a desafios contemporâneos da agricultura, da sustentabilidade e do desenvolvimento regional.

Memória para cuidar do futuro

O Projeto História & Memória da Estação Experimental de Monte Alegre do Sul busca registrar essa trajetória por meio de pesquisa documental, fotografias e História Oral. A metodologia permite recolher testemunhos de trabalhadores, ex-funcionários, pesquisadores, familiares e pessoas que mantiveram relação com a instituição.

As entrevistas ajudam a recuperar aspectos que nem sempre aparecem nos relatórios oficiais: formas de trabalho, aprendizagens, relações familiares, festas, atividades culturais, dificuldades, transformações da paisagem e modos de relação com a comunidade. Ao reunir essas vozes, o projeto contribui para preservar a memória social da Estação e ampliar a compreensão de seu valor científico, cultural e ambiental.

A celebração de 26 de setembro tornou visível essa dimensão. Ao reencontrar colegas, reconhecer antigos espaços e compartilhar histórias, os participantes reafirmaram que a Estação Experimental permanece viva não apenas nos registros do passado, mas também na memória coletiva e no trabalho científico que continua sendo desenvolvido.

Aos 84 anos, a Estação Experimental de Monte Alegre do Sul representa uma história de ciência pública profundamente vinculada ao território. Preservar sua memória, sua paisagem e seus patrimônios histórico, ambiental e genético é reconhecer uma contribuição que atravessa gerações e que continua importante para o presente e para o futuro da região.

 

Veja o álbum de fotos aqui: https://flic.kr/s/aHBqjD5YLY 

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